Vettel trazia para Interlagos, 13
pontos de vantagem sobre Alonso, na disputa pelo tricampeonato mundial. As
McLaren, com Hamilton na Pole, ocupavam a 1ª fila do grid. A seguir, as duas
Red Bull, com Webber à frente do companheiro de equipe. Massa era o 5º, Alonso,
beneficiado por uma punição a Maldonado, o 7º. Sinal verde e, logo na primeira
volta, um lance que poderia ter mudado o destino de toda a temporada: Vettel,
que havia feito uma largada extremamente cautelosa, terminou por cair para o
meio do pelotão, onde o risco inclusive é muito maior. Na tangência da curva do
Lago, o alemão freou tão cedo que Raikkonen precisou passar reto, para não
abalroá-lo. Bruno Senna, sem a mesma experiência, acertou o carro do jovem
piloto alemão. Um acidente que por pouco não tira Vettel da corrida e, consequentemente,
da disputa pelo título. O excesso de cautela, que talvez tenha sido seu maior
erro tático, poderia ter lhe custado o tri.
Muitos falam na tão propalada “sorte
de Alonso”, mas desta feita, quem deu muita, mas muita sorte mesmo, foi Vettel,
que conseguiu seguir na prova apesar de alguns danos ao seu carro. Abbey é muito resistente! Felipe
Massa largou bem, logo no S do Senna assumiu a 2ª colocação, mas ainda na
primeira volta seria ultrapassado por Jenson Button. Na volta seguinte, Webber
tentou passar o brasileiro, que serviu de escudeiro para Alonso, de maneira
espetacular, conseguir ultrapassar ambos ao final da reta dos boxes. Em
seguida, na 5ª volta, já com os primeiros pingos de chuva a molhar o asfalto do
circuito paulistano, o espanhol deu sua primeira escapada de pista, no S,
perdendo a terceira posição para Hulkenberg. Button e Hamilton se alternavam na
liderança do GP do Brasil, trocando de posição várias vezes, numa disputa
caseira emocionante. 7ª volta, Webber roda e Grosjean bate no muro. A esta
altura Vettel, em franca recuperação, já era o 6º colocado. 10ª volta e Alonso
resolve fazer novo passeio pela área de escape do S. Em seguida, Hamilton,
Alonso e Vettel param nos boxes, para colocar pneus de chuva intermediária.
Button e Hulkenberg, que apostaram em se manter na pista com os slicks, abriam
boa vantagem pros demais.
Após a parada de Vettel nos pits, a
equipe Red Bull e, em especial o “mago” Adrian Newey, observavam uma fotografia
da parte traseira direita do carro do alemão, para verificar a extensão dos
danos causados pela colisão com Senna, na volta inicial.
Lá na frente, Hulkenberg ultrapassava
Button e assumia a liderança da prova. Como anda esse Hulkenberg na pista
molhada de Interlagos! Na 19ª volta, Alonso e Hamilton voltam aos boxes para
recolocarem slicks. O inglês optou pelos pneus duros e o espanhol, médios. Na
volta seguinte, foi a vez de Vettel e Webber pararem, praticamente juntos, no
pit da Red Bull. Vettel saiu dos boxes exatamente atrás de Alonso e, de certa
forma, começou a marcar o espanhol, o que seria suficiente para ficar com a
taça. Nesse momento, Rosberg passou com sua Mercedes por detritos espalhados na
pista e furou um pneu. Foi o suficiente para a direção de prova, de forma
contestável (a Force India chegou inclusive a reclamar), mandar o Safety Car à
pista. Hulkenberg e Button voavam à frente, ainda com os pneus slicks do início
da corrida, com uma folgada margem sobre os demais. Os dois ponteiros se
aproveitaram da entrada do Safety Car, fizeram as trocas de pneus e voltaram
ainda à frente.
Limpeza concluída e, na relargada,
mais uma vez Vettel agiu com extrema cautela. Dessa vez quem pagou o pato foi o
próprio colega de equipe, Webber, que preferiu passar reto do que prejudicar a
corrida do parceiro. Hamilton ultrapassou Button e assumiu 2º lugar. Na curva
do Lago, Kobayashi passou Alonso, mas logo em seguida, no final da reta dos
boxes, o ferrarista retomou a 4ª posição. Ainda muito cauteloso, na volta 34,
Vettel permitiu a ultrapassagem de Massa, sem oferecer qualquer resistência ao
brasileiro. A chuva voltou a apertar e, ao escorregar na pista, Hulkenberg
permitiu que Hamilton retomasse a liderança. Não satisfeito, iniciou uma
implacável perseguição ao piloto inglês, que fazia sua despedida da McLaren. Na
volta 55, um leve escorregão na freada do final da reta dos boxes foi o
suficiente para fazer o carro de Hulkenberg abalroar o de Hamilton. Assim, a
liderança da corrida caía no colo de Button. Hamilton “out” (uma pena!) e
Hulkenberg penalizado pelo acidente, a meu entender, de maneira um pouco
injusta, tendo em vista ter sido um lance “de corrida”...
Vettel, que de maneira inexplicável
tinha voltado aos boxes na volta 53, para trocar pneus slicks duros, por compostos
médios, teve que retornar duas (!) voltas depois, desta vez para calçar os de
chuva intermediária. Aliás, a corrida de recuperação no início e o trecho final
do GP, a partir desta trapalhada, foram os melhores momentos de Sebastian em
Interlagos. Ironicamente nas duas vezes em que foi obrigado a abandonar a
cautela e partir pra cima...
Neste momento aconteceu um dos lances
mais inusitados da temporada. Kimi Raikkonen deu uma escapada de pista com sua
Lotus e seguiu reto, pelo antigo traçado de Interlagos, até dar de cara com um
portão fechado! O finlandês teve que, literalemente, fazer o retorno e voltar à
pista. Ao final da disputa, descontraído, Kimi avisou que vai se certificar de que
o tal portão esteja aberto, no próximo ano...
Já nas últimas voltas, Vettel
ultrapassou Schumacher, com uma boa dose de delicadeza do heptacampeão que se
despedia da F1, garantindo o 6º lugar e selando assim a conquista do
tricampeonato. Button, à frente, apenas administrava a vitória, com Alonso e Massa
completando o pódio. Se havia alguma esperança de uma reviravolta no final, ela
se esvaiu quando Paul di Resta bateu forte na subida da Junção, fazendo com que
o Safety Car fosse novamente mandado à pista e, proporcionando um final de
anti-clímax a um dos melhores GPs da história da categoria. Quão melhor é uma
decisão de campeonato em Interlagos, do que em Abu Dhabi!
Pra finalizar, um registro sobre as
entrevistas pós-GP, conduzidas por ninguém menos que Nelson Piquet! Não poderia
haver Mestre de Cerimônias melhor. Sem abandonar a descontração e o habitual
sarcasmo, Piquet soube dizer a coisa certa a cada um dos pilotos, no pódio.
Registre-se ainda que Vettel é o mais
jovem tricampeão mundial de Fórmula 1, é apenas o terceiro piloto a conquistar
3 títulos de forma consecutiva e, aos 25 anos, com apenas 5 temporadas
completas na categoria, já é dono deste cartel incrível: 3 títulos + 1 vice.






"Quão melhor é uma decisão de campeonato em Interlagos, do que em Abu Dhabi!" E quanto é melhor!!!!!
ResponderExcluirTá ficando bom mesmo, SPA. Concordo também que a punição ao Hulkenberg não era para ser.
ResponderExcluirObrigado, pessoal!
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