segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Um GP do Brasil à altura de uma temporada fantástica da F1.

E chegamos ao final de mais uma fantástica temporada da Fórmula 1. O GP do Brasil fechou, de maneira sensacional, um Campeonato que deixa saudades, em cada apaixonado pela categoria máxima do automobilismo.


Vettel trazia para Interlagos, 13 pontos de vantagem sobre Alonso, na disputa pelo tricampeonato mundial. As McLaren, com Hamilton na Pole, ocupavam a 1ª fila do grid. A seguir, as duas Red Bull, com Webber à frente do companheiro de equipe. Massa era o 5º, Alonso, beneficiado por uma punição a Maldonado, o 7º. Sinal verde e, logo na primeira volta, um lance que poderia ter mudado o destino de toda a temporada: Vettel, que havia feito uma largada extremamente cautelosa, terminou por cair para o meio do pelotão, onde o risco inclusive é muito maior. Na tangência da curva do Lago, o alemão freou tão cedo que Raikkonen precisou passar reto, para não abalroá-lo. Bruno Senna, sem a mesma experiência, acertou o carro do jovem piloto alemão. Um acidente que por pouco não tira Vettel da corrida e, consequentemente, da disputa pelo título. O excesso de cautela, que talvez tenha sido seu maior erro tático, poderia ter lhe custado o tri.
Muitos falam na tão propalada “sorte de Alonso”, mas desta feita, quem deu muita, mas muita sorte mesmo, foi Vettel, que conseguiu seguir na prova apesar de alguns danos ao seu carro. Abbey é muito resistente! Felipe Massa largou bem, logo no S do Senna assumiu a 2ª colocação, mas ainda na primeira volta seria ultrapassado por Jenson Button. Na volta seguinte, Webber tentou passar o brasileiro, que serviu de escudeiro para Alonso, de maneira espetacular, conseguir ultrapassar ambos ao final da reta dos boxes. Em seguida, na 5ª volta, já com os primeiros pingos de chuva a molhar o asfalto do circuito paulistano, o espanhol deu sua primeira escapada de pista, no S, perdendo a terceira posição para Hulkenberg. Button e Hamilton se alternavam na liderança do GP do Brasil, trocando de posição várias vezes, numa disputa caseira emocionante. 7ª volta, Webber roda e Grosjean bate no muro. A esta altura Vettel, em franca recuperação, já era o 6º colocado. 10ª volta e Alonso resolve fazer novo passeio pela área de escape do S. Em seguida, Hamilton, Alonso e Vettel param nos boxes, para colocar pneus de chuva intermediária. Button e Hulkenberg, que apostaram em se manter na pista com os slicks, abriam boa vantagem pros demais.

Após a parada de Vettel nos pits, a equipe Red Bull e, em especial o “mago” Adrian Newey, observavam uma fotografia da parte traseira direita do carro do alemão, para verificar a extensão dos danos causados pela colisão com Senna, na volta inicial.
Lá na frente, Hulkenberg ultrapassava Button e assumia a liderança da prova. Como anda esse Hulkenberg na pista molhada de Interlagos! Na 19ª volta, Alonso e Hamilton voltam aos boxes para recolocarem slicks. O inglês optou pelos pneus duros e o espanhol, médios. Na volta seguinte, foi a vez de Vettel e Webber pararem, praticamente juntos, no pit da Red Bull. Vettel saiu dos boxes exatamente atrás de Alonso e, de certa forma, começou a marcar o espanhol, o que seria suficiente para ficar com a taça. Nesse momento, Rosberg passou com sua Mercedes por detritos espalhados na pista e furou um pneu. Foi o suficiente para a direção de prova, de forma contestável (a Force India chegou inclusive a reclamar), mandar o Safety Car à pista. Hulkenberg e Button voavam à frente, ainda com os pneus slicks do início da corrida, com uma folgada margem sobre os demais. Os dois ponteiros se aproveitaram da entrada do Safety Car, fizeram as trocas de pneus e voltaram ainda à frente.
Limpeza concluída e, na relargada, mais uma vez Vettel agiu com extrema cautela. Dessa vez quem pagou o pato foi o próprio colega de equipe, Webber, que preferiu passar reto do que prejudicar a corrida do parceiro. Hamilton ultrapassou Button e assumiu 2º lugar. Na curva do Lago, Kobayashi passou Alonso, mas logo em seguida, no final da reta dos boxes, o ferrarista retomou a 4ª posição. Ainda muito cauteloso, na volta 34, Vettel permitiu a ultrapassagem de Massa, sem oferecer qualquer resistência ao brasileiro. A chuva voltou a apertar e, ao escorregar na pista, Hulkenberg permitiu que Hamilton retomasse a liderança. Não satisfeito, iniciou uma implacável perseguição ao piloto inglês, que fazia sua despedida da McLaren. Na volta 55, um leve escorregão na freada do final da reta dos boxes foi o suficiente para fazer o carro de Hulkenberg abalroar o de Hamilton. Assim, a liderança da corrida caía no colo de Button. Hamilton “out” (uma pena!) e Hulkenberg penalizado pelo acidente, a meu entender, de maneira um pouco injusta, tendo em vista ter sido um lance “de corrida”...

Vettel, que de maneira inexplicável tinha voltado aos boxes na volta 53, para trocar pneus slicks duros, por compostos médios, teve que retornar duas (!) voltas depois, desta vez para calçar os de chuva intermediária. Aliás, a corrida de recuperação no início e o trecho final do GP, a partir desta trapalhada, foram os melhores momentos de Sebastian em Interlagos. Ironicamente nas duas vezes em que foi obrigado a abandonar a cautela e partir pra cima...

Neste momento aconteceu um dos lances mais inusitados da temporada. Kimi Raikkonen deu uma escapada de pista com sua Lotus e seguiu reto, pelo antigo traçado de Interlagos, até dar de cara com um portão fechado! O finlandês teve que, literalemente, fazer o retorno e voltar à pista. Ao final da disputa, descontraído, Kimi avisou que vai se certificar de que o tal portão esteja aberto, no próximo ano...
Já nas últimas voltas, Vettel ultrapassou Schumacher, com uma boa dose de delicadeza do heptacampeão que se despedia da F1, garantindo o 6º lugar e selando assim a conquista do tricampeonato. Button, à frente, apenas administrava a vitória, com Alonso e Massa completando o pódio. Se havia alguma esperança de uma reviravolta no final, ela se esvaiu quando Paul di Resta bateu forte na subida da Junção, fazendo com que o Safety Car fosse novamente mandado à pista e, proporcionando um final de anti-clímax a um dos melhores GPs da história da categoria. Quão melhor é uma decisão de campeonato em Interlagos, do que em Abu Dhabi!
Pra finalizar, um registro sobre as entrevistas pós-GP, conduzidas por ninguém menos que Nelson Piquet! Não poderia haver Mestre de Cerimônias melhor. Sem abandonar a descontração e o habitual sarcasmo, Piquet soube dizer a coisa certa a cada um dos pilotos, no pódio.
Registre-se ainda que Vettel é o mais jovem tricampeão mundial de Fórmula 1, é apenas o terceiro piloto a conquistar 3 títulos de forma consecutiva e, aos 25 anos, com apenas 5 temporadas completas na categoria, já é dono deste cartel incrível: 3 títulos + 1 vice.

3 comentários:

  1. "Quão melhor é uma decisão de campeonato em Interlagos, do que em Abu Dhabi!" E quanto é melhor!!!!!

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  2. Tá ficando bom mesmo, SPA. Concordo também que a punição ao Hulkenberg não era para ser.

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